domingo, 30 de maio de 2010

Resgate da escuridão


Trevas da memória o colocaram de joelhos diante da corda, cúmplice de um crime passional. Haveria de dizer algo que amenizaria tamanha dor ? Ou algo que lhe proporcionasse sossego da alma ? Não, seriam inúteis tentativas de retornar ao passado para que o futuro viesse a ser feliz. Tudo estava dizimado, e tudo que ainda restava a aquele pai desesperado era o arrependimento.
Coração dilacerado, olhos amendrontados e gansos. Como se fosse integrante da genética, o pai havia se tornado refém do medo de não tão meros gansos. A sonoridade dos grasnos o colocaram em pânico, trazendo consigo alucinações. Mas a essa altura há dúvidas quanto à veracidade das alucinações, pois existem pessoas que acreditam em seres imortais e superiores.
Imagens angelicais, celestes e infernais, decoravam o espaço que o pertencia no centro de reabilitação de pessoas com problemas mentais. Doses de sedativos não eram capazes de fazê-lo calar quando visitas ele recebia, visitas radiantes, anjos. E quando no auge da alegria estavam, vinham sempre acompanhados do medo e da escuridão, os anjos caídos.
Anos se passaram sem que os anjos o abandonassem até o dia em que ele pôde, de fato, escolher entres eles aquele que se tornaria sua companhia eterna. E ele escolheu. Optou por aquele que se materializou, aquele anjo reluzente que lhe trouxe alegria, mesmo quando razões ele não tinha.

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