sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Meu doce novembro




 
Oi, meu nome é Novembro. Sei que um dia representei algo de ruim na sua vida, e por isso sempre que retorno você me olha com receio. Me desculpe, não queria que as coisas tivessem tomado aquele rumo.Também não queria que você tivesse chorado e pensado que seu mundo acabaria ali, e que seu valor não mais existia.
Sou um mês que fala muito de vida, e de transformação. E tenho que dizer, minha cara, que estou realmente orgulhoso de você!
Acredite, você está ainda mais maravilhosa,viva e feliz!
As adversidades não atrapalharam o brilho dos seus olhos, e sua vontade de amar ainda é tão nítida!
Meus parabéns, querida. Você venceu seu medo, e pela primeira vez na vida aceitou elogios.
Sim, eu agradeço por não lembrar de mim com ódio ou repúdio. O receio é inevitável, mas isso não quer dizer que não teremos a chance de ainda compartilharmos um futuro bonito, cheio de grande cumplicidade.
Sou novembro, e escrevo para você como um grande admirador dessa sua vontade de vencer na vida e de buscar ser melhor a cada dia.
Forte abraço, para minha linda menina!

sábado, 26 de outubro de 2013

Autenticidade









Durante muito tempo planejei ser outra pessoa. Largar de vez minhas manias tão peculiares e começar a adquirir características comuns.
Mas sempre que pensava nessa possibilidade, eu lembrava das pessoas que por ventura de mim haviam se apartado e que poderiam voltar e não mais me reconhecer.
Pensei também nas reclamações de meus amigos que não mais aconteceriam, e na tristeza que meus pais adquiririam me vendo infeliz, porém aceita pelo grupo e igual as outras meninas...
Preferi continuar calada, sorridente, preocupada e medrosa.
Assim, as pessoas que me deixaram e que se arrependeram voltarão e encontrarão o motivo do retorno, e meus pais sentirão orgulho pela autenticidade da filha.
Quando você descobre o que realmente vale a pena possuir, o resto se torna apenas o resto.



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Simplicidade




A simplicidade me encanta !
É maravilhoso quando presencio outros sutaques, outros olhos e mãos cheias de calo.
Gosto de ir nos lugares onde os idosos estão dispostos a partilhar suas experiências e me dizer que eu ainda tenho tempo, pois sou “ muito nova “.
Aqueles avós emprestados, que nos amam com olhar e nos cuidam com generosidade.
Ou mesmo aquelas senhoras que contam as histórias de infância com tanto ânimo e sinceridade, que eu acabo pensando que eu ainda não vivi o essencial.
A simplicidade me fascina ! Ela não faz esforço para ser bela e verdadeira, apenas é.
Repare, a simplicidade é sempre generosa e aconchegante. É o lugar que todos deveríamos estar e permanecer.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A carta








Bateram em sua porta com grande desespero. Ele abriu assustado, pois era um domingo de manhã, onde geralmente todos os universitários resolvem colocar o sono em dia.
Era sua mãe que batia à porta, com os olhos lacrimejantes e tristes. O garoto já soube que não era notícia boa, e perdeu a fala. Pensou em tudo, no que havia acontecido sem que ele tivesse sentido de longe …
  • O que foi mãe ? É meu pai, meu irmão ?
  • Não filho, é outra pessoa...
  • Quem mãe, fala ?!
  • É a Ingrid. Eu sinto muito, ela não disse para ninguém. Nem os pais sabiam …

O rapaz se calou. Seus olhos brilharam demais e logo jorraram lágrimas de dor. Quando caiu na real, percebeu que sua mãe tinha razão de vir até ele tão triste e lacrimosa.. Ele havia perdido sua menina. Ela enfim havia virado o anjo que sempre foi.

  • Como ela pôde, mãe ? Nem pra mim ela falou, quer dizer... eu sei que não tínhamos mais nada, mas eu ainda … você sabe né, mãe …
  • Eu sei filho, sei … Ela tinha câncer, sofria dores desde a época que vocês estavam juntos. Foi por isso que ela resolveu mudar. Na verdade, nem era tanto por causa dos estudos...
  • As palavras que eu ensaiei, pra quem vou dizer ?
  • Pra ela, porque ela também deixou algumas palavras para você. É uma carta em seu nome. Ela deixou para as pessoas que ela mais amava …
  • Porque mãe ?? ela não, ela não...
  • Pegue a carta filho.

Ele então pegou a carta entre as mãos que tantas vezes haviam acariciado o cabelo da Ingrid, e pensou em rasgá-la. Mas, rasgar a carta de alguém que tanto lhe fez bem em vida ?
Não, através de tanta dor surgiu uma gota de curiosidade. Resolveu ler, apesar de saber que ela odiava despedidas e que sempre pedira a ele que não chorasse quando ela fosse …

“ Oi garoto bobo ! Resolvi escrever essa carta porque sempre me expresso melhor assim.
Espero que não me julgue por ainda insistir na gente. Na verdade, não estou insistindo, apenas escrevo por consideração ao meu coração que ainda não esqueceu você como o grande primeiro e único amor. Bom, quero dizer que estou muito feliz por saber que mudou algumas coisas que eu havia dito pra você se precaver. Estou ainda mais feliz por ter levado a vida a diante, mesmo com tantas adversidades que eu mesma presenciei quando estávamos juntos. Merece tudo de melhor em sua vida, e que ela seja repleta de saúde e amores verdadeiros.
Quero agradecer pelo primeiro beijo, pelos olhos cintilantes quando me via, pelas lágrimas quando eu viajava …
Obrigada por me fazer tão feliz em tão pouco tempo. Por ter abrido mão da gente por um bem que, querendo ou não, foi maior.
Sinto sua falta, mas se você resolveu ir, eu tenho que respeitar sua decisão.
Continue sorrindo, ninguém nunca verá sorriso mais bonito que o seu.
Já te agradeço também por entender minhas razões quando receber minha carta. Infelizemente não estarei mais aqui para receber seu abraço de urso, mas lá do alto estarei olhando e torcendo para que você, ao contrário de mim, consiga ter a Clara e o Francisco.
Abraço sincero da Ingrid. “
Ele teve tempo, só não coragem de dizer a verdade: que sempre houve amor, porque era amor puro.



sábado, 20 de julho de 2013

Você





Eu gosto de lembrar o quanto você foi sincero comigo. Seus olhos me amavam tanto que eu chegava a duvidar da minha capacidade de te amar igual.
Quase choro toda vez que recordo do poema que fez, das palavras amáveis com que escrevera sobre mim, sua menina, naquela época.
Lembro também quando sentia suas mãos nas minhas, sendo esta a melhor sensação que eu já tivera na vida.
Com os seus segredos revelados a mim, sentia vontade de contar tudo a você, para sermos eternos amigos e confidentes.
Tinha medo de perder-lhe para o mundo, para as coisas que você me disse que tinha deixado por mim.
Se eu pudesse, carregava você onde eu iria, minhas palavras só seriam sobre você e o meu amor seria inteiramente seu.
Entregaria meus sonhos, meu corpo e tudo o que tenho para que você fizesse o que quisesse de mim.
Mas nunca tive a coragem de largar tudo por você. Cuidei dos meus sonhos com tanto ânimo e firmeza que esqueci de te amar como você me pedira.
Fui prudente o bastante para que você acreditasse que eu não te amava.
Mas acredite, não há nada na vida que eu ame mais do que você.
Não há pessoa no mundo a qual eu preocupe mais do que você.
Não há olhos mais lindos que os seus.
Não há sorriso mais sincero que o seu.
Meu amor, se eu achasse que deveria ficar com você, eu não hesitaria em estar. Mas foi você quem decidiu assim. E só não vou até você porque decidi respeitar sua decisão de nos separarmos.
Não quis sua amizade porque não consigo ser amiga da pessoa que eu gosto.
Meu menino, eu não deixei de gostar ou desisti. Eu nunca conseguiria desistir de você ou de nós.
Ainda te espero.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

A procura









Ele parecia tão desordenado, calado e solitário, mesmo estando rodeando de inúmeras pessoas. Olhava procurando algo que sabia que nunca encontraria. Mesmo assim, olhava, como se pudesse trazer de volta apenas com o olhar a sensação de ter alguém especial do lado. Como se os olhos pudessem trazer de volta o sorriso mais sincero que ele já vira na vida.
Foi apenas uma tentativa de achá-la no meio da multidão, de sair daquele ambiente que tantas vezes ela  pedira para que ele não frequentasse...
Sentiu vontade de ser puro, só que dessa vez ele não seria fraco. Aguentaria o que fosse necessário para amá-la do jeito certo. Assim, seria mesmo para sempre e seria porque era para ser.
Do jeito que Deus sonhou para eles, com todos os detalhes que os tornariam felizes para sempre.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Na madrugada de quarta












Minhas mãos continuam pequenas, e meus olhos brilham como antes. Tenho medo do futuro e sinto falta do passado. Já faz muito tempo que não me entrego de coração. Meu sorriso não é completo, já não confio como antes. Falta um pedaço de mim que eu não sei bem onde eu perdi. Minhas lágrimas estão mais quentes do que nunca, e meu silêncio está mais intenso. Eu sinto falta, tanta falta. E não sei do quê exatamente eu sinto falta. É uma saudade que presença nenhuma completa, e é por isso que eu sempre me calo e me recolho.As vezes quero falar, mas nunca acho a pessoa certa para escutar.Preciso de algo que me liberte daqui, da prisão do meu coração. Alguém que, sem demora, me mostrará o caminho certo de volta para luz. Eu não sabia que era tão complicado e mágico viver.

Outra vez maio (...)













O tempo passou e o amor ficou. Os sonhos construídos quando estavam juntos não foram roubados como os sorrisos. A distância ainda atrapalha, e os olhos perderam a vontade de brilhar. Não há muita coisa a se fazer, apenas esperar. O jeito é torcer por um reencontro casual, desses que significam a certeza da falha no passado. Ele ainda fala sobre ela, ainda que ela não saiba. Ela só pensa nele, mesmo que não diga. Amor verdadeiro dura, ainda que você não queira. E não precisa sofrer por antecipação, o que é pra ser, vai ser. Não importa o que você diga, sinta ou minta. Amor verdadeiro dura, e dura muito. Você não é capaz de matá-lo, mesmo que insista nisso.
O melhor mesmo é se deixar morrer por amor



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Saudade incontida








Minhas mão pequenas estavam completamente perdidas. Não haviam compreendido que perderam suas parceiras, que estavam sozinhas .E que a única função que elas teriam daqui pra frente era apenas a essencial, a de tatear utensílios ..
Estavam descontroladas, inconsoláveis ..
Precisei abafar seu desespero, escondendo-as de vez em quando para que elas não revelassem nosso segredo.
Era saudade. E não de uma boca, de presentes, de palavras . Era saudade de “ mãos dadas”, de um suor que empregnou minha carne. Mas era só. Apenas saudade incontida.



Ela está feliz







 

A noite havia chegado, e trouxe consigo algumas estrelas, poucas, porém suficientemente lindas para proporcionar um ar de algo mágico.
Os medos e carências pertubavam com grande frequência, mas a fé sempre foi persitente e vencedora.
Um dia ela quis voar, e percebeu que era possível.
Era encantador ver todos seus sonhos se realizarem, e mais ainda, poder presenciar o sorriso naquela boca que tantas vezes reproduziu soluços...
Mas como se a promessa de felicidade houvesse se cumprido, ela estava livre e leve.
E por isso digo que ela poderia voar. Não havia nada que pudesse prendê-la ali, porque todas as correntes foram enfim, destruídas.
Ninguém nunca havia descrevido e informado a ela o quanto é bom a liberdade. Ela estava realizada. Estava viva e pronta para outra...
Tudo do jeito que ela sempre sonhou.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Era novembro





“De nos perdermos um do outro o maior medo”
                                                                                                  Esther P. S. Rosado




Quando olhou no espelho, não refletiu sua própria imagem. Era ela, não ele ali refletido.
Suspirou fundo. Como ela conseguia ser tão presente depois de tanto tempo?
Os olhos, as mãos, os trejeitos de sorrir...
O eco da voz suave e doce ainda o pertubava. Lembrou daquele abraço que sabia ser sincero e amoroso. Desejou-lhe outra vez. Mais uma vez...
Notou que nunca viu sorriso igual ao dela e se intristeceu.
Haviam imaginado um futuro conjunto. Ela acadêmica, ele também.
Casariam quando estivessem estabilizados economicamente. Seriam pais exemplares, amando seus filhos como se deve amar.
Ela pedia com tanta confiança para que ele segurasse a barra, que suportasse as adversidades. Implorava para que ele aguentasse a distância, embora nunca tenha prometido regresso.
Ele olhava com carinho para o esforço dela, empenhava-se em ajudá-la a suportar a saudade da vida antiga.Sempre que podia, o guri reprimia seus desejos para mantê-la como a conheceu.
Mas eles eram jovens, não eram obrigados a suportar tantas dificuldades. Quem poderia garantir-lhes que valeria a pena tanto sofrimento e saudade ? Qual era o motivo de se deixar crescer um sentimento que, mais cedo ou mais tarde, precisaria morrer?
Desistiu. Desistiram.
Afastaram-se como não se deve fazer.
Segredos guardados agora por estranhos.
Quase não se falam, não permitem que o outro note o bater acelerado do coração.Preferem fechar os olhos a ter que deixar que o outro perceba o quanto os olhos tornam-se cintilantes em segundos. Concentram-se em respirar perfeitamente normal para que não se explicite a inquietute que a presença do outro causa …
Escondem, quando necessário, tudo que revele a paixão e o desejo que ainda não passou.
Eles preferem, na altura do campeonato, dizer que superaram. Tudo realmente acabou. Nada de amor por ali, nada de lembranças boas, nada de vontade súbita em voltar...
Ambos permitiram terceiros em suas vidas e nem se lembram mais que se beijaram pela primeira vez em determinado local, às exatas horas e minutos.Fizeram questão de esquecer as predileções do outro.
Ela finge que esqueceu o perfume predileto dele, enquanto ele esconde que um dia soube que ela tem cócegas na barriga.
Esqueceram dos beijos embaraçados, dos medos, dos choros, das gargalhadas, dos sonhos, da vergonha, da confiança, da sinceridade, do ciúme, do medo de perder, do controle...
Só porque não sentem falta não quer dizer que não faça.
Cada um deles sabe, que antes de se perderem totalmente, é preciso encontrar o outro e ter coragem de dizer a verdade.
Eles só conseguem ser eles mesmos quando estão juntos, porque são melhores assim.
Há quem diga que, passe o tempo que for, novembro regressará.
Há quem não perca a esperança de que o destino faz as coisas belas acontecerem.
Passe o tempo que for, acredito que novembro retornará


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Hoje




Talvez se ele soubesse o quanto ela sofria, suas ações não seriam as mesmas.
Eles sempre se encontravam, não importava a distância e o tempo. E doìa quando o encontro acontecia. Era estranho. Devia ser passado. Precisava ser normal. Mas não era, nunca foi.
Palavras sempre foram insuficientes para defenir o que acontecia entre eles. Nunca saberiam explicar porque gostavam tanto dos olhos um do outro, ou do cheiro, do sorriso.
A vontade de voltar, as mãos já cansadas de procurar o seu verdadeiro par..
Escolher o melhor para o momento não significava que a escolha seria válida para a vida toda.
A vontade de voltar... de pegar de volta o brilho dos olhos que ficaram no outro...
A necessidade da outra metade, da voz amenizadora, do sorriso encantador...
A sinceridade, o medo, a vontade, o receio, a coragem, o desejo de amar. Amar de novo aquela que nunca deixou de amar.
Sentiria aquela vontade de amá-la de novo, sempre ? Isso nunca passaria ?

Um dia desejou que isso passasse, mas logo quando o outro dia nasceu, desejou amá-lá. Como sempre foi. Como sempre deveria ter sido.
A vontadade de voltar onde nunca se saiu.


O menino agora era homem. Entendeu o valor de uma vida e de uma noite. Hoje ele optaria por uma vida. Hoje, ele não trocaria uma vida por uma noite.