terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aliança

Vi-te partir; nenhumas esperanças posso ter de mais ver-te.E ainda respiro!... É uma traição! (Mariana Alcoforado.)



A literatura levou-nos a discutir.Dom Casmurro nos aproximou bastante.Enquanto ele falava,expressando seus sentimentos em relação a obra,eu o contemplava.
Há tanto esperei aquele momento,de nos unirmos em uma paixão conjunta,de nos reconhecermos finalmente.Era apenas o início de uma aliança que duraria uma vida.
...
Em trabalho de parto, recebia todas as instruções de uma senhora que em nada se parecia a uma médica.Porém em tudo se assemelhava a uma mãe.
Resolveu atender todas as ordens da mulher idosa e aparentemente generosa.Até porque não tinha lá muitas escolhas.A dor tirou-lhe a razão,de certa forma.
No ápice da mesma, Heitor surgiu, com a gravata desarrumada e o cabelo bagunçado devido ao vento.Seus olhos estavam bastante assustados atrás daquelas lentes transparentes.Os de Isabel,por sua vez,estavam marejados.
Isabel,aos gritos, fazia força.Uma força que levou Heitor a pedir que a senhora parasse.
- Parar como ? Não estou fazendo nada, além de ajudá-la.
Os gritos continuaram,em plena calçada.Daria a luz ali mesmo.
...

Heitor permaneceria ali, ao lado de Isabel, como deveria ter sido.Mesmo que a realidade os separasse,ainda havia o agora.
Ele não era o pai, nem nunca seria de algum filho que viesse do ventre dela.Não havia como ser.
O destino, se é que isso existe, os separou anos antes.Não passou de uma conversa aleatória sobre literatura entre dois desconhecidos que viajavam para um mesmo destino.
Ele se casou.Ela também.
Hoje voltaram a se encontrar, como sempre aconteceria.Os olhos de um não desviaria vergonhoso se o motivo não fosse porque os olhos do outro estivesse encarando-o.
E se não ficassem juntos, suas vidas sempre se esbarrariam nos momentos mais significativos.Pois estava escrito em algum lugar que nessas horas eles deveriam estar juntos.

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